Você já olhou para uma cozinha planejada e pensou:
“Nossa, isso deve ter custado uma fortuna!”
Hoje, parece que para ter uma casa bonita precisamos transformar praticamente tudo em um projeto sofisticado.
Cozinha planejada, lavanderia, guarda-roupa, painel da sala, gabinete do banheiro…
O problema é que, muitas vezes, um móvel que deveria simplesmente organizar e facilitar a nossa rotina começa a receber tantos detalhes, acessórios e acabamentos que o preço aumenta muito.
É isso que eu chamo de gourmetização dos móveis planejados.
Neste artigo, vou mostrar como isso acontece e, principalmente, como você pode fazer escolhas mais inteligentes para economizar.
🎥 Assista ao vídeo completo
O que é a gourmetização dos móveis planejados?
Gourmetizar significa pegar algo que já cumpre determinada função e acrescentar elementos que tornam aquilo mais sofisticado, elaborado ou personalizado.
E não existe nada de errado em querer uma cozinha bonita ou investir em um móvel de qualidade.
O problema começa quando a sofisticação passa a ser vista como obrigatória.
Um móvel pode ser:
- bonito;
- funcional;
- resistente;
- bem planejado;
sem necessariamente precisar ter todos os acessórios e acabamentos disponíveis no mercado.
A grande questão é:
Você está pagando por uma função que realmente precisa ou por uma sofisticação que talvez nem faça diferença na sua rotina?
Como um móvel simples fica cada vez mais caro?
Imagine que você precisa de um armário.
A princípio, você precisa apenas de:
- estrutura;
- portas;
- prateleiras;
- algumas gavetas;
- ferragens adequadas.
Mas, durante o desenvolvimento do projeto, começam a aparecer outras possibilidades:
iluminação interna, acessórios, sistemas de abertura, divisórias, organizadores, acabamentos diferenciados…
Individualmente, cada item pode parecer pequeno.
O problema é quando você soma tudo.
E é assim que um projeto que inicialmente caberia no orçamento começa a ficar muito mais caro.
A cozinha é um dos melhores exemplos
Uma cozinha precisa, basicamente, oferecer espaço para:
- guardar utensílios;
- armazenar alimentos;
- organizar panelas;
- acomodar eletrodomésticos;
- preparar as refeições.
Mas podemos transformar essa cozinha em um projeto extremamente sofisticado.
Podemos acrescentar:
- torre de eletros;
- iluminação;
- acessórios internos;
- lixeira embutida;
- organizadores;
- portas e sistemas especiais;
- diferentes acabamentos;
- ripados;
- nichos;
- gaveteiros.
Tudo isso pode ser interessante.
Mas a pergunta continua sendo:
Você realmente precisa de tudo isso?
Gavetas: quanto mais, melhor?
As gavetas são um ótimo exemplo.
Elas são práticas e podem facilitar muito a organização da cozinha.
Mas isso não significa que precisamos transformar todos os módulos em gaveteiros.
Uma boa estratégia é colocar gavetas onde elas realmente fazem diferença no uso diário.
Por exemplo:
- talheres;
- utensílios;
- itens usados frequentemente;
- panelas.
Em outras áreas, uma porta com prateleiras pode cumprir perfeitamente a função.
O objetivo não é eliminar as gavetas.
É usar as gavetas de forma estratégica.
E os acessórios?
Aqui está outro ponto que pode fazer o orçamento crescer rapidamente.
Existem inúmeros acessórios para móveis planejados:
- lixeira embutida;
- porta-temperos;
- porta-talheres;
- organizadores;
- sistemas internos;
- divisórias;
- acessórios para panelas;
- mecanismos especiais.
Eles podem facilitar a rotina.
Mas você precisa analisar cada um individualmente.
Antes de adicionar um acessório, pergunte:
“Eu realmente vou usar isso?”
Se a resposta for sim e aquilo fizer diferença para sua rotina, pode valer o investimento.
Se a resposta for não, talvez você esteja apenas gourmetizando o móvel.
Não é sobre comprar o mais barato
Essa é uma parte muito importante.
Economizar não significa escolher sempre o produto mais barato.
Como designer de interiores, existem pontos nos quais eu prefiro investir.
✔ Projeto bem planejado
Um projeto que aproveite corretamente o espaço pode evitar desperdícios e problemas futuros.
✔ Ferragens importantes
Não adianta economizar em tudo e depois ter problemas justamente nos componentes utilizados diariamente.
✔ Estrutura adequada
O móvel precisa atender às necessidades do ambiente.
✔ Boa modulação
Uma modulação inteligente pode ajudar a tornar o projeto mais eficiente.
Como eu economizei nesta cozinha?
No vídeo, mostro uma cozinha desenvolvida no Corte Cloud, com uma estimativa de até R$ 5 mil em móveis.
É importante destacar que esse valor se refere aos móveis, não incluindo itens como pedra, eletrodomésticos, instalação ou outros elementos da cozinha.
A proposta foi justamente mostrar que podemos trabalhar com uma cozinha bonita e funcional sem transformar cada detalhe em um item de luxo.
1. Escolha mais inteligente do MDF
Não é necessário utilizar uma grande quantidade de padrões e cores diferentes para conseguir um resultado bonito.
Uma composição bem escolhida pode criar um ambiente sofisticado sem excesso de informação.
O segredo está muito mais na combinação dos materiais do que na quantidade deles.
2. Modulação inteligente
Quanto mais complexa é a modulação, mais possibilidades existem de aumentar o custo.
Por isso, antes de criar um módulo extremamente diferente, vale perguntar:
“Eu realmente preciso desse formato?”
Às vezes, uma solução mais simples consegue aproveitar muito bem o espaço.
3. Gavetas onde realmente fazem diferença
Como vimos, gavetas são ótimas.
Mas não precisam estar em todos os lugares.
A ideia é concentrá-las nas áreas em que realmente facilitam a rotina.
Assim você consegue praticidade sem transformar a cozinha inteira em um grande gaveteiro.
4. Cuidado com os acessórios
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.
Um acessório pode parecer barato quando analisado isoladamente.
Mas imagine colocar cinco, seis ou dez acessórios no mesmo projeto.
A soma começa a pesar.
Por isso, é importante definir prioridades.
Necessidade, funcionalidade, estética ou luxo?
Uma maneira simples de controlar o orçamento é dividir suas escolhas em quatro categorias:
1. Necessidade
Aquilo que você realmente precisa ter.
2. Funcionalidade
Aquilo que melhora o uso do ambiente.
3. Estética
Aquilo que deixa o projeto mais bonito.
4. Luxo
Aquilo que é interessante e sofisticado, mas não é essencial.
E não existe problema em ter itens da última categoria.
O problema é gastar primeiro com luxo e depois descobrir que faltou dinheiro para o que realmente era necessário.
A casa não precisa ser toda gourmetizada
Você pode ter uma cozinha bonita.
Pode ter um guarda-roupa planejado.
Pode ter um painel bonito na sala.
Pode ter uma lavanderia organizada.
E ainda assim manter o orçamento sob controle.
A diferença está em saber onde vale a pena investir e onde você pode simplificar.
O problema não é ter uma casa bonita. O problema é achar que, para ter uma casa bonita, tudo precisa ser transformado em luxo.
Antes de fechar seu projeto, faça estas perguntas
Antes de aprovar seu orçamento de móveis planejados, pergunte:
1. Eu realmente preciso desse item?
2. Ele melhora minha rotina?
3. Existe uma solução mais simples para fazer a mesma coisa?
4. Estou pagando mais pela função ou pela estética?
5. Esse dinheiro poderia ser melhor utilizado em outra parte do projeto?
Essas perguntas podem ajudar muito na hora de definir suas prioridades.
Móveis planejados não precisam ser caros
O objetivo não é convencer você a abandonar os móveis planejados.
Um bom projeto pode ser uma excelente solução para aproveitar espaços pequenos, organizar a casa e adaptar os móveis à sua rotina.
Mas você não precisa comprar todas as possibilidades que o mercado oferece.
Você precisa escolher aquilo que realmente faz sentido para você.
Você não precisa ter o móvel mais caro. Precisa ter o móvel certo para a sua casa e para o seu bolso.
💬 E você?
Você acha que os móveis planejados estão ficando sofisticados demais?
Comente abaixo: você prefere investir em mais funcionalidade ou em mais estética?
E se este conteúdo te ajudou, compartilhe com alguém que está planejando os móveis do primeiro apartamento.
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